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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Português a sério. PALAVRAS e EXPRESSÕES LATINAS que continuam a ser preciosas no nosso discurso.

 

AB INITIO – desde o princípio; no começo.

AD HOC – para tal fim; à toa (sentido pejorativo).

ALIBI – prova que confirma o argumento apresentado.

A PRIORI – à primeira vista.

A POSTERIORI – pelas razões que vêm depois.

AUREA MEDIOCRITAS – feliz mediania; bendita suficiência.

CARPE DIEM – aproveita o dia presente.

CONTRA NATURAM – contra a natureza.

CORRIGENDA – errata.

CURRICULUM VITAE – currículo (plural: CURRICULA VITAE).

DE FACTO – de facto.

DE JURE – de direito.

DEO GRATIAS – graças a Deus.

DOMUS MUNICIPALIS – câmara municipal.

DURA LEX, SED LEX – a lei é dura, mas é lei.

ERRARE HUMANUM EST – errar é humano.

ERRATA – erros.

ET CETERA – e outras coisas mais.

EX AEQUO – com igual mérito.

EX LIBRIS – dos livros de; aquilo que representa algo ou alguém.

FIAT – faça-se.

HIC ET NUNC – aqui e agora.

HONORIS CAUSA – a título de honra.

IBIDEM – no mesmo lugar.

IDEM – a mesma coisa.

IN EXTREMIS – em caso extremo.

IN LOCO – no próprio lugar.

IN MEDIAS RES – no meio dos acontecimentos.

IN SITU – no próprio local.

IPSIS VERBIS – pelas mesmas palavras.

LAPSUS LINGUAE – lapso de língua.

LATO SENSU – em sentido lato.

MODUS FACIENDI – modo de fazer.

NOTA BENE – nota bem.

PER CAPITA – por cabeça.

PER SE – por si.

POST SCRIPTUM – escrito depois.

PRO FORMA – por formalidade.

QUID PRO QUO – referente a um determinado equívoco.

RARA AVIS – ave rara.

RESQUIESCAT IN PACE – descanse em paz.

SIC – assim; tal e qual.

SINE DIE – sem dia; sem data fixa.

SINE QUA NON – sem a qual não.

STATU QUO – o estado em que as coisas estão.

SUI GENERIS – especial; peculiar.

TEMPUS FUGIT – o tempo voa.

URBI ET ORBI – à cidade e ao mundo.

VADE RETRO – afasta-te! (emprega-se para exprimir repugnância por alguma coisa).

VENI, VIDI, VICI – cheguei, vi e venci (palavras com que Júlio César anunciou ao Senado romano a sua vitória sobre Farnaces, rei do Ponto, no ano de 47 a.C.).

VIDE – veja-se (em).

VOX POPULI – voz do povo.



sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Português a sério. PLEONASMOS A EVITAR

EM VEZ DE… “É minha opinião pessoal” Uma opinião é sempre um parecer pessoal.

USE… “É minha opinião”

EM VEZ DE… “Sair para fora” / “Entrar para dentro” “Subir para cima” / “Descer para baixo” São expressões redundantes comuns e passam facilmente despercebidas.

USE... “Sair” / “Entrar” “Subir” / “Descer”

EM VEZ DE… “Tenho um amigo meu que…” Se “tenho um amigo”, ele é necessariamente “meu”. USE... “Tenho um amigo que…”

EM VEZ DE… “Hemorragia de sangue” Por que razão se acrescenta uma palavra que se torna irrelevante?

USE… “Hemorragia”

EM VEZ DE… “Vi com os meus olhos” É impossível ver com os olhos de outra pessoa ou ver com outra parte do corpo.

USE... “Vi”

EM VEZ DE… “Adiar para depois” Não se pode adiar para antes, pois isso seria antecipar.

USE... “Adiar”

EM VEZ DE… “Surpresa inesperada” Não é possível que uma surpresa seja esperada.

USE… “Surpresa” EM VEZ DE… “Eu pessoalmente acho que” É um erro repetir a mesma ideia. USE… “Acho que”

EM VEZ DE… Mar salgado” Fernando Pessoa usou a expressão, visando construir uma relação metafórica entre o mar e as lágrimas derramadas pelos portugueses. Contudo, no nosso quotidiano, é errado dizer “mar salgado”, já que todo o mar é salgado.

USE... “Mar”

“Pleonasmo” é um vocábulo de origem grega [pleonasmos («superabundância»)], introduzido na língua portuguesa através do latim pleonasmu-. Enquanto recurso de estilo, o pleonasmo pode consistir no uso intencional de determinadas palavras e expressões que, sendo repetitivas e redundantes, permitem tornar uma ideia mais expressiva. No entanto, também se refere ao que é supérfluo e desnecessário. Na linguagem coloquial, existem vários pleonasmos que, de tantas vezes repetidos, passam despercebidos e se perpetuam. Quando somos confrontados com expressões ou frases que são redundantes, com diferentes palavras a repetir a mesma ideia, sem acréscimo de informação, isso deve ser considerado UM ERRO A EVITAR.

Adaptado de : https://ncultura.pt/10-pleonasmos-a-evitar/

Português a sério. TAUTOLOGIA

É o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma ideia, de maneira viciada,com palavras diferentes,mas com o mesmo sentido.

- elo de ligação

- acabamento final

- certeza absoluta

- nos dias 8, 9 e 10, inclusive

- juntamente com

- expressamente proibido

- em duas metades iguais

- sintomas indicativos

- há anos atrás

- outra alternativa

- detalhes minuciosos

- anexo junto à carta

- de sua livre escolha

- todos foram unânimes

- conviver junto

- facto real

- encarar de frente

- multidão de pessoas

- amanhecer o dia

- criação nova

- retornar de novo

- empréstimo temporário

- surpresa inesperada

- escolha opcional

- planear antecipadamente

- abertura inaugural

- continua a permanecer

- a última versão definitiva

- possivelmente poderá ocorrer

- comparecer em pessoa

- gritar bem alto

- propriedade característica

- demasiadamente excessivo

- a seu critério pessoal

- exceder em muito …

sábado, 18 de julho de 2020

Língua portuguesa. Poemas de José Régio


Conheça três inesquecíveis e encantadores poemas de José Régio 

por Márcio Magalhães

Este português nasceu com o nome de José Maria dos Reis Pereira e veio ao mundo em Vila do Conde, no dia 17 de setembro de 1901. Tornou-se escritor, poeta e dramaturgo da literatura portuguesa, tendo publicado mais de 30 obras.
Enquanto José Régio – pseudónimo ao qual ficou ligado – foi autor de belos poemas, conquistando o seu próprio espaço na poesia portuguesa através de poemas memoráveis que escreveu. Entre os seus poemas mais emblemáticos estão o “Cântico Negro” e o “Poema do Silêncio”.
Régio morreu na mesma cidade em nascera, em 22 de dezembro de 1969. Além da beleza dos poemas e do talento do autor, os poemas de José Régio servem como verdadeiros ensinamentos.

CÂNTICO NEGRO
“Vem por aqui” – dizem-me alguns com os olhos doce
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
– Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
– Sei que não vou por aí!

FADO PORTUGUÊS
O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.
Ai, que lindeza tamanha,
meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.
Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.
Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.
Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

POEMA DO SILÊNCIO

Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.
Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.
Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
- Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!
Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo…
O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.
Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!
Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim.
Sofro, assim, pelo que sou,
Sofro por este chão que aos pés se me pegou,
Sofro por não poder fugir.
Sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!
Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição…)
Senhor dá-me o poder de estar calado,
Quieto, maniatado, iluminado.
Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!
Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
Era por um de nós. E assim,
Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.
Mas o meu sonho megalómano é maior
Do que a própria imensa dor
De compreender como é egoísta
A minha máxima conquista…
Senhor! que nunca mais meus versos ávidos e impuros
Me rasguem! e meus lábios cerrarão como dois muros,
E o meu Silêncio, como incenso, atingir-te-á,
E sobre mim de novo descerá…
Sim, descerá da tua mão compadecida,
Meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida.
E uma terra sem flor e uma pedra sem nome
Saciarão a minha fome.

Márcio Magalhães - Inesquecíveis e encantadores poemas [em linha] Lisboa, 2019. [Consultado em 13.07.2020]. Disponível em WWW: <URL: https://ncultura.pt/5-inesqueciveis-e-encantadores-poemas-de-jose-regio/ >.